Biografia, Ginevra King, The Perfect Hour

Ginevra King

Ginevra King nasceu em Chicago em 1898, filha mais velha de Charles Garfield King e Ginevra Fuller King, e recebeu o nome em homenagem à sua mãe e à sua avó, Ginevra Fuller, inspirado na pintura de Leonardo da Vinci Ginevra Benci, nobre da corte florentina do século XV.

Ginevra King

Ambas famílias, King e Fuller, faziam parte da alta sociedade de Chicago. O avô paterno, Charles Bohan King, natural de Nova York, chegou à cidade em 1863, fez fortuna trabalhando como banqueiro e, posteriormente, presidente do Commercial Safe Deposit Co. Já o avô materno, William Alden Fuller, nativo de Massachusetts, entrou no negócio de madeireiras como contador em 1854 e depois na construção civil, fundando a Palmer Fuller & Co, que se beneficou imensamente do Grande Incêndio de Chicago em 1871. Assim como Bohan King, Fuller era prebisteriano. O pai, Charles Garfield King, foi um corretor da bolsa de sucesso, aumentando ainda mais os bens da família.

Charles King e sua esposa pertenciam ao Onwentsia, um country club exclusivo em Lake Forest. Os Kings socializavam com outras famílias proeminentes de Chicago. As crianças dessas famílias estudavam juntas em colégios, frequentavam a mesma igreja e brincavam em Lake Forest nas férias de verão. Essa era uma comunidade fechada: seus membros se aliavam ao dinheiro, propriedades, valores em comum e status social elevado.

James L. W. West III

Ginevra era uma moça linda. Tinha por volta de 1,60m, pernas torneadas, mãos delicadas, traços refinados, cabelos cacheados negros, olhos profundamente castanhos, penetrantes e de voz levemente rouca. Era ousada, sagaz e charmosa, sem perder a discrição. Entendia o seu papel na sociedade, regras e interesses. Estudou nos melhores internatos, era fluente em francês, culta, frequentadora das colunas sociais dos jornais da época e, acima de tudo, cortejada pelos filhos da alta sociedade americana. Ainda sim, mantinha uma certa rebeldia velada às convenções da época – especialmente no assunto romance – mas nunca teve interesse em realmente quebrar tabús ou paradigmas.

Quando estudante em Westover, fez amizades que manteria para vida inteira como, por exemplo, Edith Cummings, que serviu de inspiração para Jordan Baker em O Grande Gatsby. Integrante do grupo Big Four (As Quatro Mais), era a garota mais popular de seu colégio, mas nunca demonstrou tanto interesse nos estudos acadêmicos, preferia a vida social, a liberdade e os passeios em Lake Forest; não raramente, terminava na sala da diretora Miss Hillard, que a considerava demasiadamente intransigente. Entretanto, assim como as demais meninas de sua classe social, era cuidadosamente educada para se tornar esposa nobre de homens ricos, fadada a encontrar satisfação pessoal em atividades sociais, maternidade e, caso se interessasse, em obras sociais.

Conheceu F. Scott Fitzgerald em 4 de janeiro de 1915, ela com 16 anos, ele com 18 anos, enquanto visitava uma amiga em St. Paul, e iniciaram um relacionamento, à distância, que perdurou por 1 ano e meio de correspondência e apenas “15 horas totais” de encontros em pessoa. Trocaram cartas apaixonadas, longas, muitas das quais foram usadas como base nas obras de Scott. Os dois nunca se beijaram.

Ginevra terminou o romance em 1917, apenas alguns meses antes dele conhecer Zelda Sayre, em 1918. Mantiveram a amizade, ainda que de comunicação esparça, durante o resto da vida de Scott chegando, inclusive, a conhecer a própria Zelda em 1930 a pedido dele.

Em 4 de setembro de 1918 casou-se com William “Bill” Hamilton Mitchell, amigo de infância e rival de Scott no amor, apenas alguns meses depois do término do namoro. Bill foi herói condecorado pela Aeronáutica Americana, por seus serviços prestados durante a Primeira Guerra Mundial como aviador. Scott recebeu o convite e o guardou no seu caderno de rascunhos. Bill se tornou agente financeiro por influência do sogro e fundou a Mitchell, Hutchins e Co. Tiveram três filhos, o do meio, Buddy, portador da Síndrome de Down, viveu até os 18 anos. Não foram diretamente afetados pela quebra da bolsa de valores de Nova York em 1930 e fizeram o possível para ajudar os que foram lançados na extrema pobreza, principalmente, os antigos empregados das propriedades de Lake Forest. Divorciaram-se em 1939.

Ginevra King Priere

Tempos mais tarde, casou-se novamente com John T. Pirie Jr.; um dos fundadores da Carson, Pirie, Scott & Co, uma das maiores lojas de departamento de Chicago. Com ele foi, finalmente, feliz.

Ginevra povoou – e ainda povoa – o imaginário popular como a garota rica, sedutora, fútil, insatisfeita e insensível na pele de Daisy Buchanan de O Grande Gatsby. A adolescente de 16 anos, primeiro amor de Scott, nunca foi esquecida, seja pelo amor que inflamou, ou pela ilusão que ele criou dela, ou pela dor que ela causou na separação.

Morreu em 1980 aos 82 anos, sem jamais ter criticado Scott ou feito declarações em defesa de si própria. Destruiu as cartas de amor dele, à pedido do próprio Fitzgerald, mas guardou o diário de adolescência dentro de uma caixa de recordações, no fundo do armário, que só foi descoberto após a sua morte.

Foi digna, amada e admirada.

Fonte: The Perfect Hour – James L. W. West III

 

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