Biografia, Candles & Carnival Lights, Mollie McQuillan Fitzgerald, Some Sort of Epic Grandeur, The Romantic Egoists

Mary “Mollie” McQuillan Fitzgerald

Bem, três meses antes de eu nascer, minha mãe perdeu as outras duas filhas dela e acho que isso foi o início de tudo, mesmo sem saber exatamente o que era. Eu acho que foi naquela época que comecei a ser um escritor.

F. Scott Fitzgerald

É impossível escrever sobre o universo detalhadamente criado por Scott Fitzgerald sem citar a influência feminina em suas estórias; sendo essas mulheres românticas, ideais, vamps ou insensíveis às investidas masculinas. Entretanto, há uma força ainda maior presente, ainda que discreta: a da mulher dominante, excêntrica, que molda as características das personagens masculinas e traça os obstáculos a serem superados. No caso de Scott, essa mulher que marcou tanto sua vida pessoal quanto literária foi Mollie McQuillan Fitzgerald, sua mãe.

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Cerca de 1890

Mollie nasceu em 08 de agosto de 1859 em Saint Paul, capital de Minnesota, estado do meio-oeste americano, quase na fronteira com o Canadá. O pai, Phillip McQuillan, foi um empresário irlandês de renome e fortuna, um grande benfeitor da comunidade católica local. Ela estudou no Visitation Convent em Saint Paul e em Manhattanville em Nova Iorque. Recebeu educação clássica, culta, religiosa, nos moldes da melhores famílias locais. Viajara pela Europa em quatro ocasiões, tendo tido contato com o conceito de tradição do velho mundo. Mantinha um espírito romântico, alimentado pela leitura vivaz de poetas vitorianos que, no futuro, Scott abominaria. Provavelmente, sonhara com o casamento desde pequena e com os filhos que teria. Mas os anos passaram e nenhum pretendente sério aparecia em seu caminho, ou no de suas irmãs.

Muitos estudiosos da vida e obra de Fitzgerald, entre eles Matthew Buccoli e Andrew Turnbull, retratam Mollie como uma mulher sem muitos atrativos físicos baseados, principalmente, nas anotações autobriográficas de Scott, que a considerava demasiadamente excêntrica para os seu gosto. Particularmente, vendo algumas fotos dela, não a achei feia então considero um tanto simplista a ideia de que seja esse o único argumento para o desespero de Mollie passar de seus 20 anos solteira. Até que ao ler “Candles and Carnival Lights: The Catholic Sensibility of F. Scott Fitzgerald” de Joan M. Allen, me deparei com o seguinte comentário:

Católicos irlandeses eram desprezados por católicos franceses, ainda que tivessem melhor receptividade do que os imigrantes suecos.

(página 13)

Se a família McQuillan era católica fervorosa é óbvio que os pretendentes ideais para as garotas McQuillian tivessem que ser católicos. Porém, por mais dinheiro que tenham investido na comunidade local, possivelmente eram mais tolerados pelas demais famílias católicas do que bem-vindos. Aliado ao fato de Mollie não ser muito interessante devemos lembrar que St. Paul não era uma cidade grande. Minnesota só ganhou o status de estado a partir de 1858 e apenas 16 mil pessoas viviam entre as Cidades Gêmeas – Minneapolis e St. Paul – e, no estado todo, 172 mil residentes de acordo com a Secretaria Estadual Demográfica de Minnesota. Se levarmos em conta que em 1870, quando Mollie tinha 11 anos, a população era majoritariamente composta de imigrantes/descendentes de imigrantes suecos, noruegueses e germânicos (luteranos), as opções ficaram ainda mais restritas. Portanto, não é difícil entender porque anos mais tarde quando Edward Fitzgerald, homem atraente, católico praticante, descendente de família tradicional de Maryland, solteiro (ainda que passado dos 30 anos) chegou a cidade, Mollie agarrou a chance de finalmente se casar.

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Biografia, Notas Pessoais

Pesquisas

Livros acadêmicos e bibliográficos que adquiri e que estou usando nas minhas pesquisas:

  1. The Thoughtbook of F. Scott Fitzgerald – A secret boyhood Diary – FSF & Dave Page
  2. Zelda – Nancy Milford
  3. Letters to his Daughter – FSF & Frances Scott Fitzgerald Lanahan
  4. The Notebooks of F. Scott Fitzgerald – FSF & Matthew Bruccoli
  5. Max Perkins, Editor of Genious – A. Scott Berg
  6. The Cruise of the Rolling Junk – FSF
  7. The Perfect Hour, the Romance of F. Scott Fitzgerald and Ginevra King, his first love – James L. W. West III
  8. Z, a Novel of Zelda Fiztgerald – Therese Anne Fowler
  9. Readings on F. Scott Fitzgerald – vários autores
  10. The St. Paul Stories of F. Scott Fitzgerald – FSF & Patricia Hampl & Dave Page
  11. As Ever, Scott Fitz – Letters between F. Scott Fitzgerald and his literary agent, Harold Ober 1919-1940 – FSF & Harold Ober + Matthew J. Bruccoli
  12. Scott Fitzgerald – Andrew Turnbull
  13. Querido Scott, Querida Zelda – FSF & Zelda Sayre & Jackson R. Bryer & Cathy W. Barks
  14. The Illusions of a Nation – Myth and History on the Novels of F. Scott Fitzgerald – John F. Callaghan
  15. Dear Scott, Dear Max – The Fitzgerald-Perkins correspondence – FSF & Max Perkins & John Kuehl & Jackson Bryer
  16. Hemingway – Kenneth S. Lynn
  17. F. Scott Fitzgerald – A study of the stories – John A. Higgins
  18. Bloom’s Modern Critical Views on F. Scott Fitzgerald – Harold Bloom
  19. The Letters of Ernest Hemingway 1907-1922 – EH & Sandra Spanier & Robert W. Trogdon
  20. The Letters of Ernest Hemingway 1923-1925 – EH & Sandra Spanier & Albert J. Defazio III & Robert W. Trogdon
  21. Candles and Carnival Lights – The Catholic Sensibility of F. Scott Fitzgerald – Joan M. Allen
  22. A Moveable Feast- Ernest Hemingway
  23. Mentiras Íntimas – FSF & Sheilah Graham & Robert Westbrook
  24. The Far Side of Paradise – A Biography of F. Scott Fitzgerald – Arthur Mizener
  25. Fitzgerald & Hemingway – A Dangerous Friendship – Matthew J. Bruccoli
  26. The Real F. Scott Fitzgerald Thirty Five Years Later – Sheilah Graham
  27. The Twenties – Edmund Wilson
  28. The Fitzgerald Reader – Arthur Mizener
  29. Everybody was so Young – Amanda Vaill
  30. Literary Essays and Reviews of the 1920s & 30s – Edmund Wilson
  31. The Crack-up – F. Scott Fitzgerald
  32. F. Scott Fiztgerald, A Life in Letters – FSF & Matthew J. Bruccoli
  33. F. Scott Fitzgerald’s St. Paul Plays 1911-1914 – FSF & Alan Margolies
  34. After the Good Gay Times – Tony Buttitta
  35. Beloved Infidel – Sheilah Graham
  36. Some Sort of Epif Grandeur – Matthew J. Bruccoli
Biografia, Notas Pessoais

Livros, livros, livros

Faz mais de um mês desde o último texto. Não, não abandonei o projeto, muito pelo contrário. Tenho investido meu tempo na leitura de obras que podem e irão contribuir para meu estudos.

Sempre tive um problema, desde criança: gosto de me preparar, ter tudo à mão, sou imediatista quando se trata suprir as minhas próprias necessidades. Dou um exemplo: gosto de desenhar, apesar de não o fazer com frequência; no caso da vontade de desenhar florescer, comprei cadernos, tintas, lápis, canetas e todo o aparato que pode vir a importante durante um projeto. Com a leitura não seria diferente.

Eu, que estou longe de ser do meio acadêmico, não teria a capacidade de me aprofundar em meditações sobre o autor sem que encontra-se um apoio de especialistas no gênero, que têm visões diferentes sobre Fitzgerald pois, como aprendemos nas aulas de literatura e redação, um bom texto dissertativo apresenta argumentos favoráveis e contra o mesmo assunto, buscando a imparcialidade e abrindo a possibilidade do leitor concluir por si mesmo o tema apresentado.

Apesar da bibliografia sobre Fitzgerald ser farta, muitos dos livros estão fora de impressão e tantos outros difíceis ou caros de se adquirir. Porém, há sites de livros de segunda mão como o Half Price Books , Abebooks e, para meu deleite pessoal, um dos melhores aplicativos que tive a sorte de encontrar: Thriftbooks. Além dos preços convidativos, além da possibilidade de encontrar livros esgotados, além da rapidez na entrega dos produtos, o app abre um mundo completo e fascinante do amor à leitura de forma sustentável e longe da grande corporação online que engole e aniquila, um a um, os diferentes mercados e, principalmente, livrarias de grande e pequeno porte. Os três sites – e acredito que há muitos outros mais – unem sebos e livrarias em diferentes lugares. Nada diferente do Estante Virtual, porém, esses mencionados tem uma gama maior bibliográfica que muitas vezes não está disponível no catálogo brasileiro.

E assim prossigo…

Biografia, Ginevra King, The Perfect Hour

Ginevra King

Ginevra King nasceu em Chicago em 1898, filha mais velha de Charles Garfield King e Ginevra Fuller King, e recebeu o nome em homenagem à sua mãe e à sua avó, Ginevra Fuller, inspirado na pintura de Leonardo da Vinci Ginevra Benci, nobre da corte florentina do século XV.

Ginevra King

Ambas famílias, King e Fuller, faziam parte da alta sociedade de Chicago. O avô paterno, Charles Bohan King, natural de Nova York, chegou à cidade em 1863, fez fortuna trabalhando como banqueiro e, posteriormente, presidente do Commercial Safe Deposit Co. Já o avô materno, William Alden Fuller, nativo de Massachusetts, entrou no negócio de madeireiras como contador em 1854 e depois na construção civil, fundando a Palmer Fuller & Co, que se beneficou imensamente do Grande Incêndio de Chicago em 1871. Assim como Bohan King, Fuller era prebisteriano. O pai, Charles Garfield King, foi um corretor da bolsa de sucesso, aumentando ainda mais os bens da família.

Charles King e sua esposa pertenciam ao Onwentsia, um country club exclusivo em Lake Forest. Os Kings socializavam com outras famílias proeminentes de Chicago. As crianças dessas famílias estudavam juntas em colégios, frequentavam a mesma igreja e brincavam em Lake Forest nas férias de verão. Essa era uma comunidade fechada: seus membros se aliavam ao dinheiro, propriedades, valores em comum e status social elevado.

James L. W. West III

Ginevra era uma moça linda. Tinha por volta de 1,60m, pernas torneadas, mãos delicadas, traços refinados, cabelos cacheados negros, olhos profundamente castanhos, penetrantes e de voz levemente rouca. Era ousada, sagaz e charmosa, sem perder a discrição. Entendia o seu papel na sociedade, regras e interesses. Estudou nos melhores internatos, era fluente em francês, culta, frequentadora das colunas sociais dos jornais da época e, acima de tudo, cortejada pelos filhos da alta sociedade americana. Ainda sim, mantinha uma certa rebeldia velada às convenções da época – especialmente no assunto romance – mas nunca teve interesse em realmente quebrar tabús ou paradigmas.

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